março dos sonhos


quisera eu não mais esperar
pelo que você jamais prometeu
adriana calcanhotto
i.,
você me levava de carro
para algum lugar de recife
a conversa fluía
éramos coloridas, tempestivas
as mãos e os carinhos se manifestavam
numa singularidade
eu no banco de trás
você me olhando do banco do motorista
pedia silêncio, eu entendia
"não fale nada", me olhava
indicando silêncio com o dedo
entendo. eu sei, eu sei.
deixe o tempo, me dê umas semanas
vai acontecer gradualmente
contravenção do seu corpo de regras
que real, que soltura
invernagem da minha pele quando acordo
tudo uma invenção da minha cabeça
- nesses dias é um desespero não te ter

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